domingo, 1 de junho de 2014

E então, o que me move.


Já vou direto ao ponto: ponto zero.

Vou colocar pra vocês o que me move de verdade sobre Ilíada e que linha de trabalho eu gostaria de ter.

De tudo o que li, o que mais me incomoda e me confronta é a morte. A morte como um ímã na história de todos em Ilíada. E principalmente a maneira absolutamente destemida dos guerreiros de morrerem. Eles sabem que morrerão e MESMO ASSIM lutam com o maior tesão do mundo. Entramos um pouco no campo da pulsão de morte, do Freud. Imaginem a sensação: Estar na beiradinha de um precipício, assimilando todo o horizonte na sua frente, a suspensão do tempo, o ventinho que bate... sabendo que se você cair, morrerá. Mas há sempre algo que parece te puxar, uma vontade desconhecida e bem introspectiva de se atirar!

Bom, nesse sentido tenho um vídeo referência que sempre me comoveu muito em vários sentidos. Preciso que vocês assistam ele inteiro (10 minutos de duração), sozinhas, concentradas, com o som ligado, absorvendo o momento sem interrupções, sem distrair...
O vídeo-performance chama-se Brontosaurus. O homem que dança no vídeo ficou sabendo que tinha câncer e, no seu enfrentamento pessoal, começou a dançar no seu quarto. A Sam Taylor-Wood, famosa por seus vídeo-performances, grava a cena do seu amigo e depois edita o tempo do movimento e inclui a música clássica de fundo, o que deu todo o "ar" de performance pra situação.

O resultado é essencial (no sentido de essência): Quase nada acontece, é simples, sem virtuosismo...e completamente vertical e perturbador. E é isso que eu queria buscar no meu projeto. Algo simples, extremamente visual (o que pode ser inclusive em video-dança ou performance), repetições e perturbações suaves. A parte do cômico entraria na irônia, ou de uma musica contrastante, ou de corpos se movimentando de maneira esquisita, ou do incomodo e o nao-lugar da morte dentro de cada um de nós. É quase uma sublimação...


Lá vamos nós: BRONTOSAURUS

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